03
mar
10

Do suicídio no roque e uma proposta de suicídio politicamente correta

“Fame is but a fruit tree/So very unsound/It can never flourish/Till its stalk is in the ground.” (Nick Drake)
I’m here today and expected to stay on and on and on/I’m tired, I’m tired…/I’m never gonna know you know, but I’m gonna love you anyhow”. (Elliot Smith).
To die by your side, it’s such a lovely way to die” (Morrisey)
A capacidade de terminar com a própria vida é, provavelmente, o que nos diferencia dos outros animais – esqueça aquela estória do dedo opositor. Cada suicida se mata da maneira que acha mais confortável, adequada, ou esteticamente atraente, se for uma personalidade celebrada o suficiente para que isso fique registrado. Isso é importante: Anna Karênina imortalizou sua morte ao se jogar na frente de um trem. Dias desses, tive meu trem de metrô parado no Anhangabaú por longos dez minutos enquanto, com o trem parado e sem ventilação, o pessoal do metrô de fora se mobilizava para retirar o pecador mortal de debaixo das engrenagens. Alguns passageiros sapateavam o metrô, estaria o coitado por ali, embaixo de nós? Foi trágico, me lembro: suei muito com a falta de ventilação e cheguei atrasado dez minutos na Sé, e vocês sabem o que isso significa. Trânsito, luta pra sair dos metrôs, gente suada se amassando – aquele dia me traumatizou de tal forma que o cansaço causado pelo contato físico indesejado com uma gorda suada e um japonês uspiano foi tão grande que fui obrigado a dormir a tarde inteira em casa, para me repor psicologicamente. E não adianta mentalmente mandar o suicida para o inferno por conta dos danos que causa a gente decente que, como eu, honestamente deixa São Paulo me matar gradualmente ao invés de atrasar todo mundo, uma vez que, por definição, ele escolheu ir para lá right away e a praga fica então redundante.
Suicidas: uma tendência do mercado. As pessoas querem morrer, viver é algo meio sujinho e muito trabalhoso, nada da pureza do bom selvagem no meio do mato, as drogas dos hippies que lhes criavam amor à vida saíram do mercado e o mercado, por sua vez, exige banhos regulares de seus executivos – os chefes substituíram os pais americanos puritanos que sustentavam a flower age. Aliás, os pais, como fonte de patrocínio de idéias revolucionárias de seus filhos, também estão em extinção. Sumiram os acampamentos, surgiram as business schools.

Há vários tipos de suicidas, conscientes ou não, dependendo das tendências genéticas e das circunstâncias cotidianas. Ousaria dizer que os hábitos de audição musical podem ter influência maléfica nisso. Alguns ouvem musica pop melancólica que os tornam propensos a auto-destruição, outros trabalham em lojas de departamentos cuja constante audiência de músicas populares torna a morte uma alternativa promissora. Não achei um bar nem um amigo para desenvolver essa teoria com propriedade, então fica ela aqui como mera especulação nada científica, distinta da rigorosa análise psico-existencial que se segue. No outro parágrafo.
Urgência nessa necessidade de descartar-se da vida pode pedir a extinção imediata e violenta da própria carne. Armas de fogo são uma escolha constante (vide Kurt Bang Cobain), em especial para os homens. A destruição é súbita e indolor – mulheres preferem cortar os pulsos. A razão é óbvia: os homens suportam menos dor que as mulheres. Se for verdade que toda mulher no fundo gosta de apanhar, essa fantasia masoquista não se revela menos verdadeira na maneira pela qual a maioria das mulheres escolhem por fim à sua existência: deliciando-se com o gradual desfalecimento dos sentidos que vão, leitosamente, escorrendo de seus pulsos adolescentes fragmentados por Gilette de banheiro. Trágico, e very disgusting. A arma de fogo é muito mais honrosa – Gilette is for pussies.
Ian Curtis preferiu se enforcar. Embora mais discreto, é mais chocante; imagina a mãe do Ian entrando no quarto, vendo aquele pé roxeado, ela que provavelmente nunca o deixava andar descalço naquele piso frio, resfriado, pode ficar doente, veja só, menino mimado que desafia a autoridade materna com pirraça até na morte planejada – é óbvio que tem a ver com a mãe, deve ser um problema freudiano-edipiano com toques do capeta. Não é preciso dizer que Ian era filho único.

Pãozinhos são perigosos para aqueles que vivem comendo e bebendo como se não houvesse amanhã: pessoas deveras atiradas aos excessos hedonistas são suicidas dolosos. Suicidas passivos, até. Veja a Mamma do The Mammas and the Pappas. Morte ridícula, engasgando com pãozinho, só gente gorda pode morrer assim, uma vez que comida costuma ser seu vício favorito dessa gente. Algo parecido com isso é comum no roque, mas com vícios diversos. John Bonham, notório beberrão, morreu engasgado com bolinhos de presunto – embora 40 doses de vodka que antecederam os bolinhos, como repasto líquido, possam ter tido sua contribuição.
Pervertidos que gostam de sofrer de maneira sistemática – e não me refiro àqueles que casam com a parceira para depois realizar as perversões inomináveis, pois que esse masoquismo é mais comum e plenamente aceito e incentivado na sociedade (casamento é o nome, se não me engano) – mas sim aos que fazem a ainda namorada repetir uma sacanagem perigosa que envolva pregos, cordas ou correia, por exemplo. São coisas perigosas de se lidar, sabe, e as maiorias dos indivíduos que mexem com isso no fundo sabem disso, portanto são potenciais suicidas dolosos, se insistem na ânsia pelo prazer heterodoxo com tais brinquedos matreiros. Há o caso do vocalista do INXS, que eu imaginava ter se matado por motivos mais cotidianescos tais como o vazio da fama frente à condição humana, a náusea da existência, a insuficiência e decepção da riqueza material, a inquietude da mortalidade, etc.
Ouvi de um amigo que a tara do moço era asfixia: ele foi encontrado morto numa de suas experiências de masturbação, em que ele simulava enforcar-se solitário na fechadura da porta até um limiar controlado para incrementar a excitação da coisa, e ali ficava brincando fogo – ou melhor, com corda. Abjeta essa desvirtuação de um milenar e nobre hobby que aprendemos na adolescência para matar aquele tempo que a mãe proibia videogame e nos mandava brincar lá fora.
Quem conhece a sensação da ejaculação masculina, homens que se interessam suficiente por isso para brincarem sozinhos ou acompanhados, ou aqueles que gostam de testar pra ver se está tudo no lugar e funcional (estão excluídos os estudantes de Física, que brincam com o Universo, e homossexuais passivos, que brincam com outra coisa), bom, a turma sabe que controle é algo que a gente perde, bem no exato momento em que o negócio fica bom. Daí pra esquecer-se de não morrer asfixiado com o excesso de aperto do laço no pescoço é um pulo. Surpreendo-me com a ingenuidade dos roquestares às vezes. Bom, a banda era muito ruim – australiana, ainda por cima, acho. Assim como o glamour da morte de Ian Curtis combina bem com o tom do Joy Division, uma banda brega autraliana dos anos 1980 só pode encontrar nesse fim embaraçoso o fim legítimo e similar do seu vocalista – quem não se embaraça com o fim dos anos 1980, e mais ainda, com bandas que imitam mal uma banda tão horrível quanto o U2?
Não parece haver expectativas de que Bono Vox vá cometer suicídio num futuro próximo; a banda prefere seguir decepcionando o segmento do roque com discursos pacificistas e/ou em defesa da paz mundial, das plantas e coisas do gênero, o que promete músicas cada vez mais ruins. Eu poderia dizer que eles praticam suicídio musical gradual, se algo de vital houvesse em algo que eles houvessem composto algum dia.
Não deixa de ser engraçado pensar que John Lennon foi assassinado por um fã: tantos artistas famosos por aí – o que implica milhares de fãs para cada, tal qual os que tinha John e, pela lei dos grandes números, um tão enorme percentual de assassinos entre essa multidão dos outros artistas ruins… E o que acontece no final? Só John Lennon morreu, inúmeros e insuportáveis astros pop permanecem. Depois de Lennon, matar seu artista favorito é bad form? Injusto. Por exemplo, legiões crescentes de fãs dos artistas de relevância nacional na formação de opinião no Brasil – os participantes de reality shows BBB – poderiam ter recepções, senão com uma bala, mas com um bolo de admiração enlouquecida na cara.
Suicídio, se você pensar na palavra com o sentido de evitar a vida, pode tomar formas mais sutis do que a simples abdicação da circulação biológica de vitalidade. Com a internet e sistemas delivery plenamente desenvolvidos em grandes metrópoles, é possível evitar a vida, o que poderíamos chamar de um suicídio light, ou melhor, podemos criar um eufemismo para a coisa chamando-a de “retiro introspectivo” (o último dá uma peja artística a um costume geralmente meio nerd, a introspecção, por isso gosto mais dele).  Alcoólatras de rua há séculos praticam o suicídio gradual explícito; alcoólatras de alcova há séculos praticam o suicídio gradual implícito.

Elliot Smith também resolveu sair de cena antes do sucesso – como Nick Drake. O interessante é que o legado musical deles é um convite a seguir o mesmo caminho – ouçam.

Bom, os gênios encontraram seu meio de, ao fim e ao cabo, evitar viver. Eu não tenho revolver, cordas me metem medo, visões de sangue me faz evitar cenas mais fortes de House (me embrulham o estômago), e no fim e eu acho que morrer é um tanto desconfortável. Excetuando-se algumas ocasiões onde alguns idosos morrem com um sorriso nos lábios – aqueles que são encontrados com uma acompanhante 40 anos mais jovem e um saquinho de pó do lado (o baixista do Who, especula-se, encontrava-se em tal situação quando morreu num cassino), bom, com exceção dessa curiosa parcela de pessoas que morrem bem acompanhadas e, talvez pela satisfação que a companhia lhes proporciona, lhes calham morrer com um sorriso inquietantemente e eterno nos lábios, a maioria, que não tem tanta sorte ou fama ou dinheiro – quem freqüenta velórios de desconhecidos pode testificar – parecem ter não gostado da experiência, até onde a matéria elástica da face persistiu para imprimir na fronte promíscua do morto feliz sua última impressão. O que me faz deduzir que morrer sem uma jovem auxiliar de morte do lado dói, não é gostoso, assusta, enfim, causa desconforto.

Por isso, caso a vida se torne por demais desinteressante, tenho soluções alternativas para evitar a vida de facto: o mundo da fantasia. Bebidas entorpecedoras estão aí para sufocar eventuais traumas – mas veja, se forem um daqueles vazios existenciais, náuseas intelectuais etc, então, é mais fácil ainda, nem precisam entorpecentes, porque isso é fruto de falta do que fazer – bom, minha idéia é que um suplemento adequado de comida, isolamento e computador com internet pode lhe auxiliar a deixar sua própria vida e acompanhar aquelas engenhosamente criadas por roteiristas de séries, compositores de músicas, com a contribuição dos destiladores de cachaça. Isolamento apropriado, internet e computador – essa é a minha sugestão para o suicídio politicamente correto. A observação de que esse comportamento está se tornando comum nos dias atuais me faz pensar que, embora original e brilhante meu enunciado da minha idéia de suicídio politicamente correto – não é meu primeiro insight desse nível, mind you – ele não precisa ser pregado ou ensinado. É um sinal dos novos tempos, talvez de natureza bíblica. Os executivos do Apocalipse (referência culta à Bíblia, e não aos funcionários da empresa Apocalipse, bem entendido)  poderão pegar, decepcionados, inúmeros pecadores já destruídos nos seus lares, cheio de pecados imaginários, já destituídos de vida. A besta, evidentemente, deverá ter que se atualizar das novas mídias de comunicação e comportamento e entrar logo na era da internet – dominá-la seria o ideal. Que a Besta não seja besta – o canal é a world wide web.

Postado por: Marcos Rocha

04
fev
10

Ser roque

Ser um roqueiro não significa só balançar a cabeça e ter musicas do Nx zero no Ipod. Ser roquenrrou e ter atitude roque.

E oque e atitude roque?

 Ser macho pra caralho. Ter contas no final do mês e paga-las, ver ratos subindo em vc e mesmo assim levantar cedo e enfrentar o leão do dia.

Adorar um desafio. Ver sua casa literalmente desabando e mesmo assim dizer que a vida e boa. Ser brasileiro no final de tudo e ser mais que guerreiro, ser brasileiro e ser roquenrrou.

Ate aquele nosso vizinho que escuta pagode o dia todo e um roqueiro, pense que por mais dificuldade que ele tenha, as cinco da manha ele esta de pe feliz e disposto para enfrentar sua batalha. Escrevo tudo isso pois nos últimos dias o povo brasileiro me surpreendeu, me mostrou que nosso maior tesouro e o nosso povo e não a nossa riqueza material.

Enfrentamos enchentes, deslizamentos, crises e ate desaparecimentos sem razão, e mesmo assim estamos de pe enfrentando tudo de cabeça erguida. E mesmo tomando tapa na cara ajudamos o planeta. Obrigado Brasil. Orgulho-me de você.

 Felipe Busi

 p.s. esse texto foi escrito ao som de Cartola, o sambista mais roque do Rio de Janeiro.

07
dez
09

Escrever sobre o rock e fácil, hoje em dia a molecada já tem informação de sobra graças á internet.

Quando estava na escola eu queria conhecer mais sobre o tal do roquenrrou, me aliei então a turma do fundão, aquela que vai ao colégio só pra poder pegar as meninas e fazer delas suas escravas sentimentais.

Foi nessa turma que me formei  roqueiro, não só roqueiro, mas um cara com consciência musical.

Imagine uma turma que escutava Metallica e Slayer praticamente o dia todo. E La estava eu, pronto pra balançar a cabeça e fazer o símbolo do rock.

Símbolo esse que ate hoje faço quando me empolgo seja no rock ou em qualquer outra área.

Pensando que como tive uma fita k-7 como símbolo de uma entrada num mundo de sons loucos e inusitados, resolvi listar alguns sons que deveriam fazer parte do currículo de qualquer adolescente que fala que e roqueiro na escola.

Digamos que numa fita k-7 caberiam oito musicas, escolherei oito bandas formadoras de opinião.

Em primeiro lugar Nirvana com “smell like teen spirit”, a força com que o Kurt Cobain canta entra na cabeça e te leva ao lugar mais secreto do mundo, seu cérebro.

Em segundo lugar os deuses Led Zeppellin  (nesse caso qualquer uma serve mas prefiro kashmir)o canto rasgado e a guitarra mística de Plant/Page fazem bem para a cultura e pro coração.

Em terceiro os mestres Black Sabbath com “paranoid”, juro aquele riff faz qualquer um querer sair correndo da sala de aula.

Quarto os eternos reis do rock Beatles(teria que mostrar toda a discografia, mas pra não fugir do post vou escolher só uma), com “Across the Universe”, a mais bela entre as flores beatlemaniacas.

Quinto Metallica que dispensa comentários e pra melhorar colocaria “One”, o clássico que mudara a forma como vêem as musicas com ritmos quebrados.

Em sexto lugar Pink Floyd, porque o adolescente tem direito a um pouco de loucura e psicodelia na mente.

No sétimo lugar Perl Jam, com “Black”, assim ele entendera que os pensamentos dele são os mesmo de milhões iguais a ele.

E em oitavo lugar e não menos importante Iron Maiden, “Fear of the dark” afinal ele vai aprender esse riff algum dia na vida.

Portanto pessoal se quiserem fazer um adolescente feliz de uma fita k-7 com esse conteúdo, você pode ter certeza que mudara pra sempre sua visão de musica.

Postado por Felipe Busi

02
dez
09

Muse – The Resistance

É um problema que Matthew Bellamy queira ser Freddie Mercury e Brian May ao mesmo tempo? Guardadas as devidas proporções de êxito, não necessariamente: e o Muse acerta o alvo muitas vezes nesse disco seguindo essa pretenciosa empreitada. Outras vezes, nem tanto, em especial no final do disco, quando eles encarnam o Pink Floyd do “disco da vaca” e se concentram em suítes ao piano meio sonolentas.

Em se tratando de um disco do Muse, a pergunta nunca é se o disco é bom ou não – porque é óbvio que é bom – mas se é um tão bom Muse desde Absolution – onde temática e sonoridade se tornam coesas mais do que nos álbuns anteriores, e a fúria que vem desde o primeiro disco não se perde em meio as veleidades progressivas de Bellamy. É disso que eu, saudoso, sinto falta neste ultimo excelente álbum. É impossível querer de volta a fúria e a angustia do segundo álbum, Origin of Simmetry – meu favorito deles, merecedor de um post futuro. Mas a turma de Matt, ao contrário do que faz no bem medido Black Holes and Revelations na relação peso/melodia (onde a ponderação é feita milimetricamente), nesse Muse está lírica e domada demais. Ser Freddie Mercury e Brian May, realmente, tem o seu preço, e o preço é caro.

Postado por Marcos Rocha.

27
nov
09

Meu encontro com o Rock.

Sábado de manha, um dia de sol com todos seus atributos e cenários pássaros cantando, vovós caminhando com seus netos, casais a passear… Lá em casa toca a campainha. FEEEEEEEE Corri pra atender. Cheguei na porta meu amigo me apresenta uma coisa que revolucionaria minha mente, uma fita k-7(sim senhores sou do tempo em que fita k-7 era du caralho). -Cara você tem que ouvir isso!! O loco, pensei deve ser a mais nova coletânea do kaowa. Confesso que meu gosto musical com 12 anos não era dos melhores. Fomos ate a casa dele, naquele dia a mãe dele tinha deixado ele ouvir som alto na sala, e ele tinha um puta equipamento de som. Na época as caixas eram enormes e sons graves faziam a nossa cabeça. -Se liga nesse som ! disse ele já com os olhos cheios de lagrimas. Ele coloca a fita no som e aperta o play, juro que 2 segundos nunca demoraram tanto tamanho a nossa ansiedade. Na minha cabeça eu estava esperando um super mega grito do tarzan, uma gralha ou alguma coisa de estranha. De repente…daaaaaaaa daaaa dauauauauauauau, os primeiros acordes de IRON MAN do Black Sabbath . Naquele momento senti uma adrenalina tão grande que poderia correr a maratona de são silvestre melhor que os quenianos.AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA A cada nota tocada Tony Iommi se transformava em um ser diferente. Foi então que eu ouvi ele pela primeira vez. Ele… o mito… sua santidade… o pricipe das trevas …Ozzy Osborne. Apartir daí vieram iron maiden, the who, kiss, e tantas outras. Mas nunca me esquecerei de quando ouvi pela “I am iron mannnnnnnn…….” Ate hoje quando escuto rock me sinto com a mesma adrenalina o mesmo entusiasmo de quando tinha 12 anos. E com o passar dos anos fui conhecendo bandas que mudaram radicalmente minha vida, mas isso e assunto pra um outro post. Ate lá…..ROQUENRROU BABY!!!

postado por Felipe Busi

26
nov
09

MORRISEY – YOU ARE THE QUARRY

Tenho ouvido um pouco de You Are The Quarry do Morrisey antes de dormir.
O disco, como boa parte da obra que eu conheço do líder do incrível Smiths, é mais uma grande ode a auto-depreciação, sempre vestida em insolente, sarcástico e irônico afundamento em lama; mas um tal que reina e aponta, como um bêbado de sarjeta sob surto arrogante, o dedo em riste na praça; that is, só podia ser mesmo um dos autores da minha vida. Provavelmente o Moz vai ganhar um portrait de grafite meu pro quarto. Wilde já está lá, um esboço de Morrisey ficaria muito bem, apropriado que estaria em e na altura, disposto ao lado dele. Virá.
Esses dias frios de audição me provou que o disco mexe tanto com elementos não bem compreendidos ou, melhor ainda, regurgita tantos detritos como aqueles que no esôfago ainda se recusam digeridos, sabe; mais umas de minhas remanescências que certamente não se relacionam àquela alegria redescoberta de fotos do passado descoloridas, em que você se vê com cabelo com marcas de pente da mãe e roupinha de marinheiro; mas divago, agora me ocorreu que elas são mais pinturas de desconexo pesadelo que, elas lá no passado vistas aqui do presente, se embaralham e se confundem. Deixemo-las se debatendo então.

Ouvi numa época de dor desesperada; re-ouvir tem sido um reencontro com uma persona que não mais é predominantemente minha pessoa, mas é ainda eu mesmo ali, se eu mexer um pouquinho (mas não, eu me prometi não revirar túmulos, aprendi a enterrar mortos, a deixar a morte aos ossos descarnados e aos entulhos do passado).
Tanto e tanto que não consigo escutar “Come back to Camden”. Definitively. Talvez isso seja aquilo que se poderia chamar “Brincar demais com fogo”. Que assim seja.

Mas aqui vai uma tradução livre da música que eu mais gosto do disco. De quem não tem mesmo nada melhor para fazer.

How Could Anybody Possibly Know How I Feel

Ela disse que me ama,
O que obviamente significa que ela é doida.
Já tive a minha cara arrastada por bem uns 100 quilômetros de bosta nessa vida,
E sabe, não, eu não eu não gostei disso.
Então pergunto, como pode alguma alma dizer
Que sabe como eu me sinto?
Olho, cheiro, e sei, que o único aqui por perto com cojones pra ser eu,
Sou eu.

Eles dizem que me respeitam,
O que obviamente significa que a opinião deles não vale nada, mesmo.
Já tive a minha cara arrastada por bem uns 100 quilômetros de bosta nessa vida,
Eu sabe, não, eu não, eu não, eu realmente não gostei disso.
Então pergunto, como pode o diabo de um merdinha dizer que
Que sabe como eu me sinto?
Quando no fim eles são apenas eles, e eu, eu sou EU!

Um aí disse que só quer ser amigável comigo,
O que obviamente significa que jamais terá entendimento do que eu sou.
As vozes do que é real, e os choros imaginários,
Tudo isso está passando por você
Até o futuro está passando você.

Então pergunto, como pode alguma alma possivelmente dizer,
Que sabe como eu me sinto?
Quem olha, vê dor, e vai embora.

E quanto a você de uniforme, um uniforme limpinho
Você acha que pode ser mal-educado comigo?
Só porque no fim você usa esse uniforme, sim, um uniforme limpinho e passado até,
Então assim, caro, você acha que pode ser mal-educado comigo?

Se até eu, doente como sou, jamais seria você!
Se até eu, doente como sou, jamais seria você!
Se até eu, doentio pervertido, um viajante com um pé-na-cova
Eu jamais seria você, eu jamais seria você, não, eu não.

Postado por: Marcos Rocha

26
nov
09

SMELLS LIKE TEEN SPIRIT

Ok, hoje em dia não é tão legal ser fã do Nirvana – além de poder ser chamado de “viúva do Kurt”, você corre o risco de ser confundido com essa molecada que gosta de punk rock californiano: Offspring, Green Day, etc. Qualquer babaquinha que aprendeu a dizer roquenrou ontem aprecia o Nirvana. Isso acontece porque o Nevermind (mais do que os outros discos de Kurt) smells like TEEN spirit. É um disco adolescente. E, só sendo adolescente para entender o estrago que os gritos do Kurt nesse disco podem fazer a uma cabecinha imatura e impressionável, como a minha, em 1992/1993. Posso dizer que Nevermind me iniciou no rock; foi o passo inicial para tornar a música quase tão importante na minha vida quanto comer ou beber. Nevermind chegou até as minhas mãos gravado em uma fita cassete. O original devia ser vinil, tinha os ruídos de LP ao fundo. A fita era emprestada de um amigo de um amigo meu. A partir daí, infernizei minha mãe com os gritos de Cobain ressoando pelo meu quarto – “Isso é música de doido drogado!”. Em 1993, eles vieram para o Hollywood Rock. Lembro que construí uma trapizonga para poder gravar o som da TV em fita cassete – além de copiar em VHS. Mais tarde, acabei perdendo tanto o VHS quanto a K-7. O show, é claro, foi um acontecimento pra mim – gritos, Kurt-maluco, vestido de mulher, punheta para as câmeras, mito para os fãs. Em 1993, o Nirvana era a maior banda de rock de todos os tempos. Ainda neste ano, lança In Útero, álbum com as melhores letras de Kurt, e o meu preferido. Em abril de 1994, KurtBang Cobain mete uma azeitona em seu já escasso miolo – e entra para o Rock’N’Roll Hall of Fame necrófilo. Mas, a sua obra permanece. Porque o Nirvana é maior que o próprio Kurt.

Destaques de Nevermind: Smells Like Teen Spirit, Come As You Are, Drain You. Na verdade, o álbum todo é um a coleção de rocks inspirados e energéticos, carregados de desespero, ódio, excitação, medo. Como uma dose de heroína. Mas, enfim, a menos que você more no Nepal, ou esteja congelando o rabo em uma prisão na Sibéria, você já conhece este disco…

Depois da morte de Kurt, posso dizer passei um período desligado um pouco do rock. Na época, o Guns’n’Roses já estava em baixa (sim, eu gostava do Guns, aaaaaaarghhhh!!), e o Metallica não havia produzido mais nada além do Black Album (outro GRANDE disco da minha vida, para outro post). Até que, em 1996, O Led Zepellin me trás de volta aos braços das guitarras com a coletânea Remasters. Aí sobrevieram em mim uns períodos meio metaleiro, meio hardcore, depois meio skatista. No início de 1999, assisto ao Trainspotting e começo a adorar Iggy Pop, Lou Reed, britpop, etc. Em fins de 1999, através da trilha sonora do filme alemão Christiane F., baseado no livro homônimo, conheci Mr. David Jones, mais conhecido aqui na Terra como David Bowie, com quem mantenho um relacionamento constante e fiel desde que ouvi o hino Heroes. A partir de 2000, descubro o glitter rock, o punk rock 77, o progressivo, Stooges, The Who (que se torna minha religião), o Pink Floyd (que cultuo silenciosamente, em tempos indies). Mais atualmente, o Radiohead me mostra que a música ainda pode me surpreender – e muito. Tem muito mais, mas este post tem que ter um fim: resumindo, é isto.

Postado por: Marcos Rocha




 

maio 2012
S T Q Q S S D
« mar    
 123456
78910111213
14151617181920
21222324252627
28293031  

Categorias

Mais Acessados

  • Nenhuma

Blog Stats

  • 214 hits

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.